Arquitetura para criancas


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Arquitetura para a criança
Revista Casa e Jardim - Edição 623 - Dez/06

Os efeitos positivos de ambientes agradáveis e adequados às crianças são estudados pelo arquiteto Ricardo Caminada no Centro de Educação Infantil Santo Antônio, creche paulistana reformada por este e outros profissionais. O desejo de ter uma casa bonita e a diminuição da agressividade já estão sendo notados

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O Centro de Educação Infantil Santo Antônio atende 66 crianças com idades entre 4 meses e 4 anos, cujos pais moram ou trabalham na região da Saúde,
em São Paulo.
Ambientes lúdicos e totalmente adaptados para a educação e o conforto das crianças podem influenciar positivamente seu aprendizado e perspectiva de vida. Estes são os resultados preliminares de uma pesquisa, ainda em andamento, feita pelo arquiteto e agora graduando em psicologia Ricardo Caminada. 'Meu foco é verificar, por meio da psicologia ambiental, se houve mudanças positivas no comportamento das crianças: se elas se tornaram mais organizadas, se a cognição melhorou e se possuem maiores aspirações para suas vidas', diz Caminada.

O trabalho do arquiteto acompanha dez crianças, com idades de 6 e 7 anos, ex-estudantes do Centro de Educação Infantil Santo Antônio, no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo. A instituição, mantida pela Liga das Senhoras Católicas, foi escolhida em 2002 pelo projeto Casa da Criança para sofrer uma grande reforma sob o comando de destacados arquitetos de São Paulo. O projeto nasceu em 1999, no Ceará, pelas mãos da arquiteta Patrícia Chalaça. Ao longo dos anos, foram firmadas parcerias e franquias por diversos Estados do Brasil, até que, em 2001, ele chegou a São Paulo. No total, são pelo menos 32 reformas de instituições de atendimento a crianças de até 6 anos no país e seis no Estado.
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No detalhe, desenho da artista plástica Iva Pinheiro em parede da sala multiuso
O CEI Santo Antônio foi refeito em menos de cinco meses. As educadoras da creche atestam os efeitos positivos que Ricardo busca provar em sua pesquisa. 'O ambiente está adequado ao ensino infantil. Tudo está ao alcance delas, que podem explorar, usar e guardar os objetos sozinhas', diz a coordenadora pedagógica Elizabeth Bilezikjian.

A preocupação com a acessibilidade e o aprendizado esteve presente entre os profissionais que contribuíram para a reforma da creche. A designer de interiores Jóia Bergamo transformou a biblioteca e adicionou 1.200 títulos ao pequeno acervo existente. 'Fiz mesinhas para leitura e desenho, nicho para fantoches e duas áreas de descanso', conta Jóia, que, desde que partipou do projeto, busca repetir a dose uma vez por ano. 'Nunca mais vou deixar de fazer.'

A ergonomia foi a preocupação de Thereza Dantas, arquiteta que fez de um corredor uma grande pia para a higiene bucal das crianças, o 'escovódromo'. 'Fiz uma bancada baixa, adequada à faixa etária de até 4 anos, que freqüenta o espaço. Os desenhos na parede são de Iva Pinheiro e representam os momentos do dia em que se escovam os dentes, para que a criança aprenda e fixe', diz Thereza.
O coordenador do Laboratório de Psicologia Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Hartmut Günther, confirma que as mudanças realizadas podem ter impacto na vida das crianças. 'Se a creche é mais agradável que a casa delas, isso pode instigar sonhos e aspirações', diz o professor.

Ricardo Caminada coletou um indício importante de que as transformações já estão em curso nas crianças: 'Os pais das crianças que passaram pela creche afirmam que os filhos começam a almejar, para o futuro, uma casa tão bonita quanto a creche.' E tem mais: os desenhos realizados em sala de aula, que antes eram escuros e tinham traços fortes, hoje apresentam traços suaves e muito mais cores, o que demonstra a diminuição da agressividade. 'Ter um ambiente agradável é um direito humano', conclui o professor Günther.
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Depois de participar do projeto Casa da Criança em 2002, Ricardo Caminada voltou a freqüentar o CEI Santo Antônio desde o início deste ano para realizar uma pesquisa no campo da psicologia ambiental.
'Há indícios fortes de que a agressividade delas diminuiu', diz o arquiteto e estudante de psicologia

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Refeitório
Recriado por Angela Tasca, o refeitório, com mesas circulares que reforçam o convívio, tem desenhos coloridos que fazem um caminho pelas paredes. São assinados pelo artista Odamar Versolatto. 'Quis fazer um espaço em que a criança pudesse se alimentar e conviver com a arte', diz a arquiteta. As cadeiras coloridas e mesas, ao fundo, foram compradas por Angela e doadas à creche. As cortinas foram cedidas por Luri Decorações

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Biblioteca
Projetado por Jóia Bergamo, o espaço tem mesinha que centraliza a leitura. Atrás, o colchão é mais uma opção para o descanso diário das crianças, depois do almoço. 'Foi o melhor trabalho que já fiz', diz a designer de interiores, que contou com a colaboração da Gav Decorações na marcenaria e da Casa Fortaleza, fornecedora do piso. Junto às estantes, uma escada leva a um palquinho para apresentações. Embaixo dela, caixas com rodízios guardam objetos e brinquedos - tudo para estimular a organização

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Pátio interno
Reformado pela arquiteta Brunete Fraccaroli, o espaço recebe muita luz durante o dia, o que potencializa o efeito colorido da cobertura de vidro da Santa Marina, com película da Vanceva Design. 'A idéia era dar mais qualidade à brincadeira das crianças.' Para isso, conseguiu a doação de brinquedos da SPI Playground. Os desenhos na parede são da artista plástica Eliane Goes

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Pia para higiene bucal
Thereza Dantas fez a pia onde as crianças lavam suas mãos e escovam os dentes após as refeições. 'Usei mármore (na bancada) e cerâmica (nas paredes), que não requerem manutenção, porque a creche não pode gastar dinheiro', diz a arquiteta. A iluminação indireta do teto tem plaquinhas de acrílico adesivadas com o sol e a lua. Tudo faz referência às fases do dia em que a criança deve se lembrar de escovar os dentes. O ponto de partida foram os desenhos de Iva Pinheiro (ao lado). Os espelhos são da Moldulak

SUA HISTÓRIADignidade restaurada
Uma vida
digna começa por uma moradia decente. Foi com esse espírito que as arquitetas Helena Galiza e Laís Coelho criaram o ReHab Centro, em 2002. O projeto, totalmente voluntário, consiste em oferecer assistência técnica a uma verdadeira ressurreição de um imóvel na esquina das ruas Constituição e Regente Feijó, no centro do Rio de Janeiro.

O que era um casarão abandonado do século 19, invadido por nove famílias com média de ganho mensal de dois salários mínimos, está se transformando em um conjunto de apartamentos. É a chance de essas 25 pessoas - gente que chegou a ser desalojada e passar 15 dias na rua, com crianças pequenas - mudarem de vida.

Além da revitalização do imóvel, o projeto prevê também capacitação profissional, geração de trabalho e renda e educação. As famílias formaram a Associação Moradia Digna nas Áreas Centrais e já possuem até registro de pessoa jurídica. A regularização fundiária já está aprovada pelo município, e o projeto foi selecionado pelo Programa Crédito Solidário, da Caixa Econômica Federal, que concederá o financiamento de R$ 150 mil para o empreendimento.

O Governo do Estado já se dispôs a conceder o direito de uso do imóvel mediante a captação da totalidade dos recursos - o orçamento é de R$ 250 mil. Como o casarão está dentro do Corredor Cultural, no Centro, itens como a restauração da fachada encarecem o projeto. A luta do ReHab Centro agora é pela busca dessa diferença para que as obras possam ganhar corpo. Enquanto isso, o grupo atua na comunidade: todas as crianças estão na escola, por exemplo.

'Tudo é feito com total participação da comunidade', conta Laís. E a tranformação já é visível. 'As pessoas voltaram a ter esperança. Elas se sentem cidadãs novamente.' É a prova de que parcerias podem transformar o mundo em que vivemos.
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Caminada, comprovou que ambientes lúdicos e totalmente adaptados para a educação e o conforto das crianças podem influenciar positivamente seu aprendizado e perspectiva de vida.

É muito legal ver arquitetos empenhados em estudar e comprovar os benefícios do ambiente em relação ao comprotamento, principalmente das cria'nças.

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