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Com o objetivo de melhorar o desempenho no Ensino Fundamental, estados e municípios começam a atender as turmas com aulas que vão de manhã até a tarde.
Existe um consenso entre os educadores de que o período integral é, em todos os sentidos, mais eficiente do que a jornada de quatro horas, que vigora em quase todo o país. Um tempo maior de aulas é proveitoso sobretudo para quem vem de famílias de baixa escolaridade. Quando bem-sucedida, a mudança traz ganhos consideráveis. "Como os estudantes ficam o tempo todo ocupados, começaram a sentir falta das atividades durante as férias."
As opções que a escola oferece são, além das disciplinas tradicionais, Esporte, Artes e Informática. Todas as áreas ficam a cargo de professores da rede e sempre há novidades. As mais recentes são Dança e Filosofia. O que exige locais mais amplos é feito em parceria com a prefeitura, para o uso de áreas públicas, como ginásios e escolinhas de futebol. O enfoque em linguagens múltiplas abarca meios que vão do trabalho artesanal aos recursos eletrônicos. A coordenação pedagógica amarra as atividades. "Este ano montamos o currículo para discutir questões de ética e de comportamento", informa Fernandes.
Atenção às armadilhas
Nos ambientes carentes e que enfrentam situações freqüentes de violência, a jornada completa costuma ter impacto muito positivo. Os pais que trabalham fora - absoluta maioria nos dias de hoje, principalmente nas camadas mais pobres da população - ficam satisfeitos em saber que não precisam se preocupar com o que os filhos estão fazendo em sua ausência. O problema é dar peso excessivo a esse aspecto e descuidar das questões pedagógicas. "Cada atividade nova deve se integrar aos projetos curriculares e não ser apenas um modo de preencher horário", ressalta o diretor Mário Fernandes.
"Talvez outras experiências tenham fracassado porque seus autores pensaram na estrutura antes de pensar na criança", diz Cláudio Aparecido da Silva, secretário de Educação de Apucarana. "Quando tivemos a idéia da educação ampliada, procuramos meios para viabilizá-la e houve uma resposta da comunidade." Foram feitos um levantamento das necessidades físicas e pedagógicas de cada escola e outro das condições de cooperação da comunidade. Salões paroquiais, clubes, bibliotecas e praças passaram a ser utilizados para as novas atividades. Hoje, 38 das 39 escolas municipais da cidade, que tem 115 mil habitantes, funcionam em tempo integral. A unidade restante foi reservada como opção aos pais que preferem o sistema anterior e, segundo o prefeito, é a menos procurada da rede.
Integração e parcerias
Idéias semelhantes orientaram a Secretaria de Educação de Belo Horizonte. A jornada única na capital mineira também é prevista em lei de 2002. Hoje, existem turmas no novo horário em 78 escolas e 149 creches do município, correspondendo a 16,5% do total de alunos. Apenas a EM Monteiro Lobato funciona exclusivamente em período integral, para turmas da Educação Infantil e do primeiro ciclo (três séries iniciais), dos 3 aos 9 anos.
A única unidade da rede reformada com esse fim tem 70% de suas vagas destinadas a alunos de maior vulnerabilidade social ou com deficiência. As demais são ocupadas por sorteio entre os integrantes de uma longa lista de espera. "A escola é uma espécie de projeto piloto", informa a diretora Dayse Canesso Maciel. O currículo, por exemplo, não faz distinção entre as atividades obrigatórias previstas pelo Ministério da Educação e aquelas que o horário expandido permite acrescentar - como modalidades esportivas, Música e Teatro, entre várias outras. "Não existe uma hora para estudar e outra para brincar", diz Dayse.
As turmas são formadas de acordo com as idades, mas as que reúnem alunos de 6 a 9 anos se dissolvem em grupos que vão sendo reorganizados segundo as hipóteses de escrita dos alunos (silábico, pré-silábico, silábico-alfabético e alfabético). Há um professor regente por classe, mas vários outros cuidam de atividades incorporadas ao projeto alfabetizador. Um trabalho com múltiplas linguagens ocorre em espaços como o laboratório de informática, a biblioteca e os palquinhos de leitura e encenação de histórias.
Mas nao e em todas as escolas que tudo ocorre dentro dos limites dos muros - entre 7h10 e 17h20, com cinco refeições e banho - na maioria das escolas de Belo Horizonte que têm turmas em período integral os trabalhos são estendidos para outros espaços urbanos. Isso porque o programa é compartilhado com organizações não-governamentais, parceiros que respondem por boa parte do currículo complementar.
A articulação entre as entidades da sociedade civil e as escolas resultou de um mapeamento do que já existia no município. "Fizemos uma leitura das experiências positivas em Belo Horizonte e percebemos que havia muita coisa acontecendo", diz a coordenadora de articulação pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Macaé Evaristo. "A intenção é construir uma política sustentada no apoio da população."
A reportagem completa est'a dispon'ivel em:
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/mais-tempo-aprender-423347.shtml
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Achei muito interessante os aspectos apresnetados, pois nao basta somente pensarmos em espaço físico ou no currículo, tem que ser dada a devida importância à comunidade onde a escola esta inserida. Além disso, não necessariamente o espaço físico da escola deverá abrigar TODAS as atividades que serão desenvolvidas, a proposta da PBH de apropriar de espaços públicos existentes para estender a escola é muito interessante.







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