Teresinha Eboli descreve em seu livro “Uma experiência de educação integral: Centro Educacional Carneiro Ribeiro” como foi essa experiência. O livro foi publicado em 1969.
_____________________________________________________________________O Centro Educacional Carneiro Ribeiro, que Teresinha Eboli descreve no livro, é o testemunho da mais eloqüente concretização de uma experiência de educação integral feita no Brasil, reunindo, no propósito do seu idealizador Anísio Teixeira, o ensino da sala de aula com a auto-educação resultante de atividade de que os alunos participam com plena responsabilidade. Se os seus frutos confirmam as aspirações do fundador e dos que ali deram ou continuam dando parcela preciosa do seu esforço e do seu entusiasmo, bem como os prognósticos dos poucos homens de governo que, compreendendo o alcance da iniciativa, se dispuseram a ajudar a obra, somente o depoimento de professores e antigos alunos pode esclarecer.
O grande mérito do CECR é o de oferecer ambiente à realização da simbiose educador-educando, eis que o ato educativo exige a integração de esforços de um e outro, a reciprocidade de intenções destinadas a um objetivo só: o florescimento e cultivo da realidade individual da criança ou do jovem, o seu amadurecimento consciente, a apreensão do sentido cultural da comunhão dos homens e a demonstração de que o ser humano está indissoluvelmente relacionado com o universo de realidades exterior.
Com as suas escolas-classe e a escola-parque, compreendendo esta a multiplicidade das práticas educativas (teatro, biblioteca, educação física, pavilhão de trabalho, artes plásticas, jornal, rádio, banco econômico etc), o CECR constitui uma imagem viva em prol dos benefícios da educação integral, ou seja, do processo educativo que considera o educando na inteireza da sua individualidade, desenvolvendo-lhe todos os aspectos da personalidade e procurando afirmar nele os valores maiores da pessoa humana, como a liberdade com responsabilidade, o pensamento crítico, o senso das artes, a disposição da convivência solidária, o espírito aberto a novas idéias, a capacidade de trabalhar produtivamente.
As proporções grandiosas do seu continente físico não seriam obrigatoriamente adotadas, mas se construiriam Centros onde a filosofia e os métodos educacionais do CECR fossem aplicados e sempre aperfeiçoados. O importante é a natureza da experiência, pois os mesmos resultados se obteriam numa instituição semelhante e com número de alunos menor, relacionado à população afluente. O CECR, estando situado no epicentro de uma área demográfica social e economicamente baixa (e a sua localização em bairro de proletários foi proposital), teve de orientar-se no sentido de abrigar milhares de educandos. A existência do CECR conduz a reflexões em torno da escola para todos,desde que educação integral está diretamente ligada à escola pública. Como assim? Sendo a educação direito impostergável de todos e de cada um individualmente, pois cada um e todos devem participar da obra cultural, somente o Estado tem condições de oferecer a todos escola de currículo completo e dia letivo integral, isto é, escola onde o educando, dispondo de todos os meios e instrumentos de conhecimento, usufruindo condições propícias para empregá-los e vivendo por si mesmo experiências enriquecedoras, descubra as suas virtualidades e penetre no conhecimento da natureza e da humanidade que o rodeiam e o influenciam.
Como então proporcionar o máximo de educação ao indivíduo carente de recursos a não ser na escola pública, a escola que pode realizar a harmonia social pela convivência de alunos de procedência diversa, de costumes e hábitos diferentes, de formação doméstica contraditória, ricos e pobres? A presença de crianças da mais diversa origem social e da mais distinta formação pessoal enseja um fecundo intercâmbio de vivências e sentimentos, enriquecendo a cultura de cada um pela soma de aquisições que reciprocamente se fazem indivíduos pertencentes a grupos sociais diversos.
Se a educação integral visa assegurar a cada indivíduo a possibilidade de instruir-se segundo as suas capacidades, permitindo-lhe afastar-se das injunções prejudiciais do meio em que nasceu ou em que vive e entra em contacto com um ambiente mais amplo, é fácil supor que a escola particular, mesmo facultada a todos (por hipótese), não propiciaria aquele objetivo, pois a ela afluiriam os mesmos grupos sociais afins, levados pelo sentido natural de preservação de suas peculiaridades. Ao contrário, à escola pública iriam todos os que a quisessem e aquele que, por motivos econômicos, não tivessem outra alternativa. Portanto a escola pública é a que, de um modo geral, oferece melhores condições para garantir uma educação integral a todos, pois está menos sujeita ao envolvimento de interesses pessoais dos seus dirigentes.Fragmentos retirados do livro “Uma experiência de educação integral: Centro Educacional Carneiro Ribeiro”, dispon'ivel em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002672.pdf
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A experiência relatada no livro mostra como a escola pública integral pode ser benéfica, principalmente para as comunidades mais carentes, diminuindo a violência e desenvolvendo crianças e jovens para exercer atividades profissionais, além de inseri-los em um contexto social e cultural, ampliando os horizontes e a participação dessas pessoas na sociedade.
Outro aspecto importante que é relatado no livro é o de que as atividades extra-classe são tão importantes quanto o conteúdo ministrado em sala de aula. Esportes, cultura, lazer, artes, tudo isso deve fazer parte dessa nova proposta.
A escola-parque também é um ideal muito interessante, apesar de difícil de ser implantado no cenário atual das grandes cidades. Mas acredito que nós, como arquitetos, devemos buscar iniciativas que possam suprir essa demanda de alguma maneira, mesmo levando em conta s aspectos do espaço urbano.








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