Esse post é uma continuação na sequeência de reportagens da Revista AU de Janeiro de 2009, especial sobre a arquitetura escolar.
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Especial Escolas
Educação em meio à praçaA democracia ainda subsiste na arquitetura escolar, que busca resolver o coletivo em prol da educação individual
Por Simone Sayegh Fotos Fran Parente
Educação em meio à praçaA democracia ainda subsiste na arquitetura escolar, que busca resolver o coletivo em prol da educação individualPor Simone Sayegh Fotos Fran Parente

Resolver o programa escolar exigido pela Fundação para o desenvolvimento da Educação (FDE) não foi a única preocupação do escritório Apiacás Arquitetos. Muito antes disso, a deficiente dinâmica urbana já existente no terreno alvo do projeto, na periferia carente do município de Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo, chamou a atenção dos jovens arquitetos que propuseram uma generosa solução urbanística para a Escola Parque Dourado V.
O terreno cedido para a construção da nova escola divide sua área com uma escola municipal (de lata, a ser demolida) e uma estadual, e servia de passagem aos moradores dos conjuntos habitacionais do entorno, que utilizavam um caminho estreito, tímido e cheio de obstáculos que ligava duas ruas, e circundava a escola estadual e uma quadra descoberta rebaixada. Como a passagem já era consolidada pela população, a equipe do Apiacás decidiu tirar partido desse uso e incorporá-lo ao projeto da escola, de maneira a integrar áreas publicas e privadas. Propuseram então a construção de uma praça de acesso que interligasse as duas vias do entorno e também servisse diretamente a usos educacionais e culturais. O projeto permitiu trazer os alunos para vivenciar um espaço de convívio público, ao mesmo tempo em que trouxe a comunidade para dentro da escola.
A praça toma o lugar da quadra existente e se estende por entre a arquibancada que desc
e para encontrar uma grande empena para projeções de cinema e por entre a nova escadaria que desce para a via pública. "Hoje virou ponto de referência urbano e de convivência agradável entre os moradores da região", explica Pedro. Seu desenho ainda abrigava uma pista de skate, não construída, e uma escultura doada pela artista plástica Elisa Bracker, mas que por falta de verbas de transporte, ainda aguarda no ateliê da artista. "Um pequeno absurdo em todo esse processo, pois a fundação e a iluminação para a escultura foram feitas", reclama Anderson. Além da praça, a equipe de arquitetos também propôs a construção de um auditório e centro comunitário no lugar da escola de lata que será demolida. "Seria um conjunto social, educacional e cultural completo", explica Anderson.
O projeto da escola contempla uma implantação longitudinal do bloco de atividades em uma cota inferior à da praça, e dividido em três pavimentos. "A grande área do terreno nos liberou de verticalizar o projeto", explica Anderson. Como a característica de todo o plano urbanístico para o terreno privilegia a visão do entorno, a integração de usos e a liberdade de acesso, a escola acabou não sendo murada, mas somente fechada no rés do chão com gradil metálico. No nível da praça, ela se abre para as ruas. "O uso da escola é visto pela cidade e vice-versa", conclui Pedro.
Como o prédio é implantado em um desnível acentuado do terreno, o acesso é feito por meio de duas passarelas de quase dez metros de comprimento, sem apoios intermediários: uma maior leva ao grande pátio principal, e outra, mais estreita, funciona como acesso independente para pais, uma das exigências da FDE. O pátio coberto localizado na porção central do volume longitudinal é o espaço principal por excelência. Nele se intensificam a convivência, a transparência visual e a liberdade de rotas. Como para coroar sua importância, um imenso painel retrata imagens da comunidade e da própria construção da escola, pintado pelos artistas Paulo Von Poser e Giancarlo Latorraca.
De um lado do pátio distribuem-se as salas administrativas e refeitório e, de outro, a quadra coberta que forma um grande volume longitudinal protegido por elementos vazados, implantada em uma cota intermediária entre o piso das salas de aula, no térreo, e o pátio.
Para resolver a circulação horizontal, os arquitetos optaram por um corredor periférico à volta do corpo principal da escola, de maneira a formar uma contínua varanda aberta para a praça. Na fachada oposta, a varanda é protegida por elementos vazados de concreto que a abrigam de uma maior insolação. Esse modelo de circulação determinou que as portas das salas de aula fossem voltadas de um lado para um corredor de circulação aberto, mas restrito pelo talude, e de outro para uma grande área externa de recreio e lazer, onde o entorno da cidade mostra-se generoso. "As circulações nas varandas são voltadas ora para a rua e praça, ora para a vista do pôr-do-sol no horizonte da cidade", explica Anderson. A circulação vertical é marcada propositadamente pela cor vermelha e, junto dos guarda-corpos metálicos também vermelhos, da pintura azul das paredes de alvenaria, e das esquadrias amarelas das salas de aula, reforça o caráter lúdico da escola, que assim se destaca em meio à profusão de tons de cinza do concreto aparente e do piso cerâmico.
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Mais um projeto brilhante na simplicidade das soluções.










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